13 de abr de 2009

o resto e o sol

Onde esta a fonte? A fonte submersa da verdade da vida e de toda tempestade dona do dia em si, proprietária da umidade arisca do amor. O tempo não se pergunta. Em qualquer tarde não se enlouquece. Cada mártir existente no calor em fuga, cada samba, na rua tende a ser somente um grão, um ralo, um bosque sob o infinito. A sorte se estende. E a pergunta permanece. Cheia de surpresas. Cheia de suprimentos e sem a menor noção do tempo, do rumo habitual. Com o mar ao lado, num caldo humilde, numa lupa côncava: não há quem diga amem nem pra norte nem pra sul.
Quero toda e qualquer forma de unidade, pressão, rascunhos, sedas, mortes e ventos pra tentar buscar vestígios de atmosferas amaldiçoadas por alguém pressuposto, ou por algo sem o mínimo de intuição. Quase sem som: um adeus. O envelope do planeta. Uma conversa divina devidamente registrada por claustrofóbicos habitantes do futuro iminentemente mudo ante a hóstia do medo do fogo do fim do mundo. Uma falha obsoleta e corcunda. Enfim, desde que acuse a eternidade e não a mim, todos terão valor. Pois o amor impera se se aprende a pagar.
Eu quero. Por favor. Por favor, mais luz no palco. Iluminando rastros, pistas de um clarão eterno que, inclusive, já se passa. Por favor...!
Encontrando tais vestígios, amargurado como as normas da luz ou formas da paz, ambas obesas, eu trairei minha arte e viverei minha morte, cada vez mais desnutrida e inusitada. E com a boa nova me sentirei em casa.
Cada segundo mantêm a sombra aquecida rumo à lógica que atravessará o buraco negro transmitindo alegria ao culpado disso tudo: o filho plausível da viajem oposta. E a junção do diâmetro da roda da vida, com o tic-tac do fim, se faz de boba em horas que se aglomeram de dor devido ao brilho do sol de ontem, tornando-se “hora e meia” ou até o próprio sempre. Repleta de harmonia. Plantando beijos. Colhendo a relatividade do tempo. Comendo. Comendo. Comendo pela pele. Fazendo contato. Hei de agarrar-me no cabelo do espaço.
Esse contato e feito, supostamente, cinco dias após a busca. Ouvem-se gritos. Sim! Sim frenético e óbvio como o passado. Então esclarecerei toda a curva da matéria esquecida em algum lugar completo por natureza. Vou também distribuir dimensões. Talvez três. Não vejo problema. No sexto dia porem, antes que me esqueçam e me suguem de volta ao circulo por inúmeras vezes, quero descansar. Eu disse no sexto, não no segundo. E quero porque quero! A maioria que observe o eclipse. Eu vou fumar as arvores. Vou respirar o vácuo. Amar o amor. Nada mais. Nada menos. Vou partir pra próxima. Pra puta que pariu.

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